Cookies e o Outono: comemoração e gratidão

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Para além da visão judaico-cristão do mundo, há aqueles que vêem a natureza como sagrada e por conta disso tentam exercer seu caminho espiritual em harmonia com ela. O paganismo é um nome genérico para aqueles que seguem este ritmo, agregando nesse conjunto diversos tipos de religiões e trilhas espirituais.

Harmonizar-se com a natureza requer celebrar seu tempo. Uma das formas de fazer isso é honrando os ciclos naturais, como os das plantas (o tempo de germinação e de safra) e os do planeta (as estações do ano), e ao honrar as estações ganham significados maiores que ser os dias entre solstícios (dias em que o Sol alcança o maior grau de afastamento da terra) e equinócios (dias em que a quantidade de horas do dia é igual às da noite). Seguindo essa visão de mundo, o ano divide-se em dias de grande poder (também chamados de sabás), pois congregam o símbolo de um estágio da vida, e o outono é um desses dias. Ele representa uma das colheitas, a última antes do final do ano (que neste caso acontece no Samhain, o sabá seguinte) sendo, por isso, um dia de comemoração do que se colheu no ano que está para terminar, ou seja, um momento de agradecimento.

Fora do círculo pagão, o outono é visto como a época que as folhas caem, além de ser a estação dos frutos. O que aparentemente nada tem a ver com o que a visão pagã, mas na verdade há muitas semelhanças. As folhas caindo representam a morte do masculino(O Deus que envelhece para morrer no Samhain, no paganismo) por conta da perda do calor com a aproximação do inverno. O fruto é o auge da vida da árvore, sua meta, pois enquanto semente o frutificar é apenas uma potência que a árvore pode conquistar, e como fruto torna-se a realização desta potência. E a árvore só pode oferecer o fruto se ela amadureceu, recebeu nutrientes e passou por outros processos necessários para ao fim gerar aquele fruto. E a criação do seu trabalho servirá de alimento para alguém, completando esse ciclo de solidariedade da natureza.

Neste mundo tão injusto e muitas vezes cruel precisamos comemorar mais outonos, isto é, sermos gratos, pois no meio de nossas reclamações diárias esquecemos de quantos pequenos a grandes privilégios temos todos os dias de nossa vida.
Por conta de todos os ganhos que comemorar esta estação significa agradecer. Agradecer ao Deus por seu último esforço antes de sua morte e viuvez da Deusa, agradecer às árvores por todo seu amadurecimento até enfim gerar os frutos, agradecer a terra por oferecer os nutrientes necessários para que a árvore se fizesse pronta para nos alimentar… E esses são os processos naturais que devemos agradecer. Atualmente, neste mundo ainda mais complexo, cada detalhe do cotidiano de todos está conectado a uma vida que teve influência indireta ou direta para que aquilo existisse naquela rotina e a essas vidas também se deveria agradecer.

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Neste mundo tão injusto e muitas vezes cruel precisamos comemorar mais outonos, isto é, sermos gratos, pois no meio de nossas reclamações diárias esquecemos de quantos pequenos a grandes privilégios temos todos os dias de nossa vida. Talvez por isto se iniciou há séculos (e voltou com o nova era) o culto a natureza, para não sermos injustos e cegos perante ao que acontece além da esfera individual, para aprendermos a viver em harmonia com o Todo.

E os cookies?

São diversos as datas comemorativas em que comida torna-se uma forma de presentear a quem amamos, seja aqui no Brasil ou no mundo. Por acaso em pleno outono no hemisfério sul um dos exemplos brasileiros acontece, a páscoa, onde dá-se ovos de chocolate principalmente para crianças. E dar um uma comida caseira, seja feito por você ou comprado, é mais do que um costume, é como oferecer o fruto só que da árvore chamada trabalho humano, em maioria feminino, um esforço mais direto e presente que os feitos por máquinas da indústria, pois tal como a árvore teve que crescer para gerar o fruto, a cozinheira teve que amadurecer sua técnica para que o gosto ficasse saboroso, depois os ingredientes tiveram que ser transmutados no produto final para que enfim ele se chegasse nas mãos daquele a quem está recebendo o presente comestível.

E quando se compra uma comida caseira feita por uma mulher um honrar distinto acontece: ao sagrado feminino. Depois de anos de desvalorização do trabalho feminino que acontece em casa ou fora dela, de maus tratos aos símbolos relacionados à mulher, de violência nas mais diversas maneiras diretas a nós, mulheres, ao comprar algo vindo do esforço feminino por um preço justo você quebra uma tradição de desrespeito às mulheres e as tratam como deveriam ser tratadas, com dignidade e valorização de seus esforços.

Resumo da ópera: pause de vez em quando para agradecer, seja no equinócio de outono que está para chegar ou em outro momento; Expresse sua gratidão sinceramente, um amor pleno dentro de você vai brotar quando você assim o fizer e talvez até cure um pouco este mundo de ódio; Não se preocupe com a maneira que você vai agradecer, se ela está simples demais ou não, use o que estiver em mãos e as ideias mais carinhosas que vier que elas serão mais que suficiente; E lembre-se de cada folha que teve que cair para que você vivesse, assim vai perceber que mesmo que nos seus momentos mais solitários e depressivos o mundo estava te apoiando indiretamente.

Texto Colaboração:

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Oi! Tudo bem? Eu sou Laleska Freitas, estudante de geografia na resistente UERJ, com 22 primaveras vividas. Em adjetivos pode-se dizer que eu sou carioca, pagã, bissexual, feminista e poetisa antes de ser também cozinheira da Fartuno, que é a minha marca de cookies caseiros. Prima distante da Karol Conka porque meu nome não é com c. Se quiser me adicionar e prosear mais comigo, tenho Facebook e Instagram.

 

16426086_1338374712893024_5936158162131772572_nSobre a Fartuno, ela nasceu ano passado, mas começou a ter uma vida mais ativa este ano. Mesmo que tenha se iniciado em pleno verão eu vejo os cookies e a minha marca com uma cara de outono, com toda a energia de gratidão e renovação que essa estação guarda (além do gosto delicioso que os frutos têm). Se quiser saber mais sobre temos Facebook, Twitter e Instagram.