As Bruxas que somos hoje!

EMAIL
FACEBOOK0
FACEBOOK
GOOGLE
INSTAGRAM0
PINTEREST0
PINTEREST
163101
A inquisição atingiu em imensa maioria, mulheres.

O estigma social das bruxas, como seres maléficos, feios e velhos sempre me incomodou muito.

Esse ódio pelas mulheres curandeiras, benzedeiras, mães e sacerdotisas nasceu há séculos atrás e teve seu auge com a publicação do livro Malleus Malleficarum (Martelo das Bruxas) escrito pelos dominicanos Kramer e Sprenger em 1486, um verdadeiro manual de Caça às Bruxas.

Kramer foi considerado insano pela Igreja e condenado em 1490, mas o livro continuou sendo publicado, ajudando fortemente a disseminar e incitar o ódio contra mulheres que tivessem conhecimentos sobre ervas e ousassem competir, mesmo que não fosse essa a intenção, com os únicos detentores da conexão espiritual-Deus e os homens.

Protestantes e adeptos do Cristianismo diziam não legitimar a obra Malleus Malleficarum mas entraram na onda de histeria e foram responsáveis por mais de nove milhões de crimes durante a Inquisição, a Era das Fogueiras.

A sabedoria pagã, conhecimentos ancestrais sobre ervas e plantas, era passada por oralidade. Como medida de proteção, os próprios “bruxos e bruxas” ajudaram a propagar a ideia de que seriam seres velhos, disformes, caricatos, de que não passavam de lendas, numa tentativa de enfraquecerem seus poderes e assim quem sabe, as perseguições diminuíssem.

As perseguições e matanças só foram extintas no século XVIII mas ainda hoje temos os resquícios culturais desse período histórico.

A figura da bruxa como um ser horrendo, invejoso e transformadora de príncipes em sapos ainda é bastante reforçada, as produções da Walt Disney são especialistas em divulgar esta ideia.

Que o fogo das fogueiras que queimaram milhares de mulheres, há séculos atrás, seja o mesmo fogo restaurador e purificador, que nos limpa de todas as amarras do passado. Que este mesmo fogo nos empodere e nos conecte, nos una nesta grande teia da VIDA.
São séculos e séculos de opressão às mulheres, violências psicológicas cada dia mais refinadas e eficazes, criando algemas mentais invisíveis e poderosas, enfraquecendo e escravizando milhares de mulheres em relacionamentos doentios, uso de drogas e aceitando condições na sociedade em que as colocam em lugares de inferioridade e subserviência.

As que ousam se empoderar e tomar as rédeas de suas vidas, estão muitas vezes sozinhas, são classificadas de putas, vadias, feministas, feminazis e por aí vai…

Essa necessidade de sempre classificar, demonizar o que foge da “normalidade” tem seus conceitos muito bem enraizados há séculos atrás.

Mas estamos numa Era, numa Nova Era, em que não suportamos mais viver enclausuradas mentalmente e as que não conseguem lutar, estão ficando doentes, depressivas ou com síndromes de ansiedade.

As religiões que fazem uso desses conhecimentos ancestrais das ervas em seus cultos e rituais também são fortemente atacadas e demonizadas.

3f324e3968ca599cd82be3ed7396df90

No que erramos em tratarmos nossas vidas com os presentes da Natureza, em celebrarmos as estações, em nos curarmos com tudo que vem dela, que é nosso, nos foi dado?

Erramos pois somos mestras de nós mesmas, não damos lucro à nenhuma empresa e nem precisamos da benção da água benta de nenhum padre e nem do óleo ungido de nenhum pastor.

Porque conhecemos a passagem estreita entre a vida e a morte, sabemos do poder e da força que carregamos em nossas entranhas, nos conectamos com a sagrada sabedoria que vem da Natureza, somos senhoras de nós mesmas, não precisamos de ninguém para dizer por onde devemos ir.

Vamos continuar sendo perseguidas por vários séculos ainda. Está nas suas mãos deixar-se escravizar novamente ou levantar-se e empoderar-se de si mesma.

Mulheres que dizem basta para relacionamentos abusivos e opressores.
Mulheres que se demitem de seus empregos e se tornam grandes empreendedoras.
Mulheres que não terceirizam a educação de seus filhos.
Mulheres que usam de sua intuição e da voz do coração e estão chegando em lugares inacreditáveis.
Mulheres que se libertam das drogas vendidas em farmácias e respeitam seus corpos.
Mulheres que acessam os saberes ancestrais e se curam com a ajuda da Natureza.
Mulheres que anulam toda a competitividade criada culturamente e se aliam às outras mulheres, pois sabem da força que possuem quando estão juntas.
É com essas que quero ficar.

Que o fogo das fogueiras que queimaram milhares de mulheres, há séculos atrás, seja o mesmo fogo restaurador e purificador, que nos limpa de todas as amarras do passado.

Que este mesmo fogo nos empodere e nos conecte, nos una nesta grande teia da VIDA.

Agradeço imensamente à todas as mulheres sagradas que fazem parte do movimento internacional do Ressurgimento do Sagrado Feminino.

Texto – Colaboração:

556524-463763860338900-1966906859-n-150x150Michele Távora
Pedagoga e criadora do MagaTerra Fitocosméticos, que tem por responsabilidade resgatar o poder químico natural presentes na natureza na forma de cosméticos naturais,produzidos artesanalmente.

  • Marina

    Excelente texto! Me representa. Jai Ma <3

  • Yasmin Lopes Huber

    lembrou-me muito de uma frase da Simone de Beauvoir “Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.” . estão de parabéns pelo texto e pela iniciativa!!

  • Bia Bastet

    Lindo, texto. Captou realmente a alma feminina

  • A. Pina

    O Blog é muito bom, mas este texto carrega algumas inconsistências. Inquisição é católica. E “protestantes e adeptos do cristianismo” é uma redundância. Por favor, compartilhe as fontes e bibliografia utilizadas 😉

    • Bia Bastet

      Eu entendi, mesmo com esses dogmas impostos, pela língua portuguesa.kkk

  • Perfeito.Me representa

  • jéssica de oliveira mussatti

    Adorei esse texto parabéns.

  • juvenal2016

    Ainda é um ponto discutível se as bruxas eram realmente bruxas. Ou seja, não está comprovado que as mulheres perseguidas praticavam algum tipo de religião pagã. Seriam mulheres em sua mmaioria simples, perseguidas por motivos banais, numa época onde qualquer coisa servia de bode expiatório; o fato de ser mulher já te colocava em desvantagem. O mito de uma antiga religião pagã correndo por baixo das veias da Europa foi criado por George Frazer, autor do livro The Golden Bow. Do mesmo modo, o que se conhece por Wicca foi um movimento criado por Gerald Gardner, tendo pouco a ver com a realidade. A inquisição foi um ato de barbárie humana, mas talvez aquilo contra o que ela lutava não fosse nada mais que uma ilusão criada por ela mesma.

  • Samantha

    Amei!Parabéns!

  • Paulo Sergio Ribeiro

    ….conheço uma etnia que sofreu algo semelhante_Os negros.

    • Yasmin Lopes Huber

      como até hoje os praticantes de religiões afro-brasileiras sofrem discriminação …isso é muito triste, nao podemos nos abater

  • Rene Gonçalves da Silva

    Magoei… Os bruxos e magos, ficaram fora do texto. rsrsrs
    Agora sem brincadeira. Texto muito bom, Valeu!

  • Tamara Melo

    Adorei o texto! Bem escrito, conciso e fidedigno! Parabéns!